Quem dera a vida fosse só azul, alegria e festa, quem dera! Mas nem sempre a vida é assim, às vezes chega a doer, mas faz crescer. Crescer é bom, porque quando somos “grandes” temos a dimensão exata do que queremos e como alcançar: com calma, paciência. Algo comparado à contemplação de um rio de águas cristalinas, em mansa correnteza, sem pressa alguma de alcançar o seu destino, porque sabe exatamente que nele vai chegar.
Sabemos que estamos crescidos, mais maduros, exatamente quando a euforia acaba, quando vamos aprendendo a usar estratégias mais inteligentes para alcançar nossos objetivos. Quem dera aprendêssemos isso antes de cometermos tantos erros, mas só nos damos conta de que crescemos quando sentimos os espinhos que encontramos pelo caminho, na loucura desenfreada de fazer as coisas acontecerem ao nosso tempo, atropelando os fatos, e mandando para bem longe tudo aquilo que queríamos bem perto de nós.
Quem dera soubéssemos ter a serenidade da lua, que ao final de um dia, triste ou alegre, sempre aparece, prateando os vales, serenando os corações aflitos, dando um show de beleza, encanto e simplicidade, porque mesmo majestosa, faz-se singela para não humilhar àqueles que a contempla infinitamente. Quem dera!
Quem dera nos déssemos conta das ilusões que criamos ou às quais nos entregamos, mas é pena que isso só aconteça, quando já cheios de dor, somos obrigados a parar no caminho e arrancar os espinhos, um por vez, com cuidado, para não machucar mais do que o necessário.
Evolução! Viver é evoluir, mas quem foi que disse que evolução é sofrimento? Podemos escolher: os caminhos ilusórios, que mesmo curtos, revelam-se cheios de plantas secas, de espinhos, que nos impedem de chegarmos aos nossos destinos ilesos; ou ainda os caminhos das flores, que ilusoriamente nos parecem longos demais para a urgência que carregamos em nosso íntimo, mas que nos oferecem, a cada passo, um espetáculo de flores coloridas, perfumadas, jardins floridos e bem cuidados, lagos e rios cristalinos, que nos encantam de tal maneira, que ao chegarmos ao destino nem nos damos conta da extensão percorrida, porque ao contrário do primeiro, foi o caminho mais prazeroso, suave e leve.
Podemos evoluir assim, com leveza, suavidade e amor, mas por que será que escolhemos o inverso?
Celebremos a vida e as oportunidades de sermos felizes como somos e com o que temos. Façamos das nossas vidas um eterno jardim, para que aqueles que passarem por ele queiram se aproximar e embalados pelo encanto e perfume das flores desejem ficar. Ah… quem dera tivesse eu aprendido tudo isso ainda criança, teria evitado tantas coisas… ah, quem dera!
