Estou aqui pensando sobre esses amores que nascem entre duas pessoas de maneira tão controversa. Desde que passei a me entender por gente, isso lá pelos 13 anos, quando comecei a perceber o mundo com olhos mais curiosos, aprendi que duas pessoas se encontravam e se apaixonavam. Veja que interessante, 17 anos depois descubro não ser essa a única maneira de um coração “quedar-se” de amor. E tudo isso graças a nada mais e nada menos que a “bendita” tecnologia!
Bendita seja a tecnologia que nos permite atravessar oceanos, cidades, países, morros, vales, fronteiras antes intransponíveis, agora tão comuns no dia-a-dia de jovens, adultos, velhos, de todo aquele que não aceita o chão como o limite para a felicidade. Falo dos internautas, que agora não são tão jovens assim. Falo dos sites de encontros, de namoro.
Acontece assim: Um dia você se sente sozinho, achando que tudo “pode estar perdido” e que realmente o grande amor da sua vida não vai acontecer ou se acontecer terá que esperar, esperar, esperar. Até que um dia você recebe um e-mail convidando-o a fazer parte daquele grupo de pessoas que buscam o mesmo que você. Amigos, aventura, companheiros e você pensa “será?!”, “Isso não funciona, mas o que vou perder?”.E, então, estamos lá espalhando nossos ansiosos dedinhos pelo teclado. Uma aventura apenas, uma idéia, sei lá?!
Bem… quando você olhou, achou que fosse simples. Primeira barreira: é preciso fazer um perfil, características físicas, profissionais, emocionais, desejos etc etc etc. E você se pega pensando ”e agora, o que vou dizer de mim? O que seria interessante dizer em tão poucas linhas?” Então você procura suas melhores características, e coloca lá. Depois o mais interessante, define o perfil de parceiro(a) que deseja encontrar. No fundo você não acredita que isso realmente possa dar certo. Mas “não custa nada tentar”.
Primeiro dia: uma bateria de pessoas interessadas em te conhecer. Você fica encantado(a)! Como pode ser? Então funciona?! Aí você responde a alguns, a outros não. Mas na verdade, nem todos vão permanecer na sua lista de “Favoritos”.
Então vocês trocam mensagens, fotos, descobrem pontos em comum. Desejam imensamente a cada dia ser mais que um(a) “amigo(a) virtual”. Mas… bem… tudo depende de um pequeno detalhe, mínimo por sinal: Ele (ou ela) está do outro lado do mundo! WOW! E agora? Começam as loucuras, telefonemas semanais, diários e é aí que a coisa complica.
Como podemos querer tanto, desejar tanto alguém que não conhecemos inteiramente? Ou será que o conhecemos mais do que podemos conhecer um homem/ mulher num encontro convencional? De repente, percebo que o mundo mudou tanto, as relações mudaram muito. Talvez essas mudanças não sejam tão boas assim, afinal estamos a cada dia mais enclausurados entre quatro paredes, viajando pelo mundo na tela de um computador. Incrível não?! Talvez façamos isso com a ilusão de poupar-nos das desilusões amorosas. Ilusão! Amores eletrônicos também decepcionam. De repente, você se entrega a cada dia a uma pessoa que pode sumir para sempre sem que você possa encontrá-la jamais. Sem falar que coisas piores podem acontecer. É preciso ter muito cuidado! Nunca se sabe até que ponto o outro está dizendo a verdade. Mas deixemos de lado, neste momento, esse aspecto. Fica aí o alerta!
Quero dizer que o amor não tem fronteiras. Que podemos ser tomados por ele de uma maneira inusitada. Deixamos rolar e nos arriscamos em estar enganados ou deixamos tudo isso de lado e vamos buscar o real? Até que ponto sabemos o que é real na internet e o que é virtual na vida real?
Pode ser que o nosso amor esteja mesmo bem ali, do outro lado do oceano. E aí, o que devemos fazer? Eu tenho amigos que se casaram assim, é um exemplo. Bem, o que encanta nessa história é essa possibilidade antes “impensada” e fantástica que um recurso tecnológico nos oferece. É claro que nada substitui o contato, a troca de um olhar de cumplicidade, a química, necessária e fundamental para que o amor aconteça efetivamente. Essa magia da possibilidade é divina, simplesmente divina! Não é tudo, é verdade, mas não devemos dispensá-la, descartá-la. Prefiro tentar, correr o risco a ter que conviver com um “e se fosse ele o homem/mulher da minha vida?” Bem…se fosse, já era! Mas não para mim. Quero deixar-me levar pela poesia do encontro e pela magia da possibilidade, simplesmente!